terça-feira, 6 de outubro de 2015

Avaliação da utilização de embalagem em atmosfera modificada sobre a conservação de sardinhas.

A embalagem de produto com atmosfera modificada consiste em retirar a maior parte do oxigênio residual presente nas embalagens, introduzindo uma mistura de gases (na maioria dos casos nitrogênio e dióxido de carbono) de forma a inibir a proliferação de micro-organismos, formação de fungos e retardar a ação enzimática natural em certos produtos.O resultado é um produto que se mantém fresco por um período muito maior, sem necessidade de congelamento.
A vida útil dos alimentos perecíveis conservados em atmosfera normal é limitada principalmente pelo efeito do oxigênio atmosférico e o crescimento de microorganismos aeróbios produtores de alterações, que promovem mudanças de odor, sabor, cor e textura, conduzindo à perda da qualidade.
Na tabela abaixo pode-se ter uma ideia da extensão da vida útil para uma série de produtos.
A produção mundial de peixes, que nesta última década tem oscilado entre 60 e 70 milhões de toneladas, é utilizada pelo homem, da seguinte maneira: 1/3 como alimento fresco; 1/3 em conserva, como supergelados, enlatados, defumados e salgados; e 1/3 industrializado como farinha de peixe para alimentação animal, sendo assim, uma possível solução para a má nutrição, devido ao bom valor nutritivo que o peixe apresenta.

2 Material e métodos
2.1 Amostras
As amostras foram obtidas diretamente em um entreposto pesqueiro situado em Niterói - RJ, sendo, posteriormente, encaminhadas ao laboratório de Tecnologia de Alimentos. O transporte e acondicionamento das amostras foram efetuados em condições de temperatura e higiene adequadas, assegurando-se assim, a manutenção de suas características.
2.2 Tratamento das amostras
No momento da recepção, as amostras foram lavadas com água destilada esterilizada, para promover uma homogeneização do lote e, cerca de 100 g de sardinha foram introduzidas em embalagens plásticas de baixa permeabilidade, divididas em oito lotes, de aproximadamente 1,5 L de ar (100%), CO2 (100%), 50/50 CO2/O2 e vácuo e termo-seladas. As amostras foram armazenadas a 2 ± 2 °C durante 22 dias.
2.3 Análises físico-químicas e microbiológicas
A análise de pH foi realizada pelo método potenciométrico segundo técnica descrita no Manual do Laboratório Nacional de Referência Animal – LANARA, em triplicata. Para a análise de bases voláteis totais, utilizou-se o método de microdifusão em placa de Conway, segundo o mesmo manual, com três repetições.
Para a contagem de microrganismos heterotróficos aeróbios mesófilos viáveis, seguiu-se o método preconizado pelo Manual LANARA, utilizando-se o meio de cultura ágar padrão para contagem (PCA), com incubação a 32 ± 2 °C e leitura em 24/48 horas. 

3 Resultados e discussão
A Tabela 1 e a Figura 1 mostram o comportamento de crescimento bacteriano nos diferentes tratamentos de atmosfera modificada e embalagem a vácuo.

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 Com relação ao tempo de duplicação e fase de latência, percebe-se que a amostra embalada em atmosfera modificada com 100% de CO2 foi a que apresentou o melhor comportamento, pois apresentou o maior tempo de duplicação e a maior fase de latência. Isto porque o tempo de duplicação é definido como o tempo de crescimento do microrganismo e a fase de latência como o tempo que essa população demora a crescer ativamente, sendo assim, a amostra embalada com 100% de CO2 foi a que apresentou maior tempo de espera e de crescimento de bactérias.
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Os valores de pH não sofreram alterações estatisticamente significativas pelo tratamento, apresentando-se estáveis, com pequenas variações. Apenas as amostras de controle e vácuo apresentaram valores limítrofes ao estabelecido pela legislação brasileira, a partir do 13º dia de armazenamento. O aumento de pH está relacionado com o aumento de bactérias heterotróficas, que atingiu níveis superiores a 106 UFC.g -1 para o controle e o vácuo, aos 13 dias de armazenamento, evidenciando atividade proteolítica e lipolítica, a partir deste período.

De uma maneira geral, com o início do rigor mortis (rigidez do corpo que ocorre cerca de sete horas após a morte, devido ao endurecimento muscular e que desaparece no período de um a seis dias), o pH do peixe cai de 7,0 para 6,5, subindo rapidamente a níveis de 6,6 a 6,8. A queda de pH é ligeira e depende, entre outras coisas, das condições de pesca, pois as reservas de glicogênio dependem da resistência que os peixes opõem à captura. Com a deterioração do pescado, o pH aumenta para níveis mais elevados devido à decomposição de aminoácidos e da ureia e à desaminação oxidativa da creatina. O aumento do pH é afetado pela espécie do peixe, tipo e carga microbiana, história do peixe, métodos de captura, manuseio e armazenamento. O aumento de pH na sardinha pode ser devido ao acúmulo de produtos de natureza básica, como trimeteilamina (TMA), dimetilamina (DMA), amônia, indol, escatol e algumas bases orgânicas, como putrescina e cadaverina, produzidas por hidrólise bacteriana de compostos nitrogenados.
De acordo com os resultados, pode-se concluir que, sob o ponto de vista microbiológico, as embalagens enriquecidas com CO2 demonstraram ser o melhor método de conservação, em comparação com as demais estudadas. Sendo assim, é possível dispor do processo de atmosfera modificada gerada no presente experimento ao setor produtivo de pescado, visando novos produtos, utilizando a sardinha como matéria-prima. Recomenda-se o uso da atmosfera de 100% de CO2 como forma de conservação da sardinha por apresentar melhores parâmetros de vida útil.
Com relação ao tempo de duplicação e fase de latência, percebe-se que a amostra embalada em atmosfera modificada com 100% de CO2 foi a que apresentou o melhor comportamento, pois apresentou o maior tempo de duplicação e a maior fase de latência. Isto porque o tempo de duplicação é definido como o tempo de crescimento do microrganismo e a fase de latência como o tempo que essa população demora a crescer ativamente, sendo assim, a amostra embalada com 100% de CO2 foi a que apresentou maior tempo de espera e de crescimento de bactérias.

Referência: TEODORO, A. J,Avaliação da utilização de embalagem em atmosfera modificada sobre a conservação de sardinhas (Sardinella brasiliensis)

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Maltodextrina


O que é, efeitos e como tomar?


Maltodextrina é um carboidrato complexo, proveniente da conversão enzimática do Amido do Milho. Sua absorção pelo organismo é gradativa e lenta, pois contém polímeros de dextrose. Estes polímeros acabam sendo metabolizados lentamente, o que faz com que ela forneça energia durante uma atividade física que necessita de resistência e de longa duração, pois ela vai liberando a glicose gradualmente no sangue. É um tipo de carboidrato que se desenvolve a partir da quebra das moléculas do amido com a adição de água. Formam-se então os polímeros de glicose que, quando ingeridos, elevam as taxas de insulina formando o tão conhecido Pico de Insulina na corrente sanguínea. Esses polímeros conseguem ser rapidamente absorvidos pelo organismo, sendo ideal para quem está entrando em fadiga. Diariamente, nós precisamos de cerca de 60% de carboidratos na nossa dieta para não precisar desviar a proteína da sua função principal: fornecer energia para as atividades físicas e auxiliar na construção muscular

Quem pode ou não consumir a maltodextrina- Antes de comprar, certifique-se de que a embalagem está lacrada e de que não foi violada. Também se há o selo da ANVISA nela. Visto isso, antes de ingerir, vá ao médico ou nutricionista esportivo. Esses profissionais poderão lhe informar da sua real necessidade de consumir esse suplemento. Fazer alguns exames antes é importante. Se você for diabético e não estiver ciente disso ou que tenha propensão para desenvolver a doença, o uso da maltodextrina sem orientação pode causar sérios problemas a sua saúde.
Riscos da superdosagem e se engorda o consumo em excesso- Quando uma grande quantidade de maltodextrina é ingerida forma-se o pico de insulina. Isso significa que há uma taxa significativa dessa substância circulando no seu corpo e metabolizando o açúcar. Isso pode levar a uma hipoglicemia momentânea. Além disso, você pode ter acessos de vômito e muita náusea. Também pode haver o acúmulo de uma grande quantidade de gordura se houver carboidrato em excesso circulando no seu organismo. Caso ele não seja utilizado será armazenado nas células adiposas com a ajuda da insulina que acabou de ser liberada.

domingo, 27 de setembro de 2015

Analise de Tabela Nutricional

Wafer Recheado sabor mousse de limão – Amori Richester
A Resolução ANVISA RDC 360/03 – REGULAMENTO TÉCNICO SOBRE ROTULAGEM NUTRICIONAL DE ALIMENTOS EMBALADOS torna obrigatória a rotulagem nutricional baseada nas regras estabelecidas com o objetivo principal de atuar em benefício do consumidor e ainda evitar obstáculos técnicos ao comércio.
Os nutrientes que devem ser declarados no rótulo, são: valor energético, carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio.
Outros minerais e vitaminas farão parte do quadro obrigatoriamente quando se fizer uma declaração de propriedades nutricionais ou outra declaração que faça referência à estes nutrientes. Optativamente, podem ser declarados vitaminas e mineras quando estiverem presentes em quantidade igual ou maior a 5% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) por porção indicada no rótulo.
A ANVISA incentiva os fabricantes de alimentos e bebidas a dispor nos rótulos as informações referentes ao conteúdo de colesterol, cálcio e ferro, com o objetivo de aumentar o nível de conhecimento do consumidor, desde que o produto apresente quantidade igual ou superior a 5% da IDR.
Outras informações que obrigatoriamente devem ser declaras são: porção em grama ou miligrama, medida caseira e o percentual de valor diário (%VD).
A LEI Nº 10.674, DE 16 DE MAIO DE 2003 Obriga a que os produtos alimentícios comercializados informem sobre a presença de glúten, como medida preventiva e de controle da doença celíaca.


O presente alimento encontra-se dentro das regras para embalagens de alimentos da ANVISA, apresentando valores de valor calórico total, carboidrato, proteína, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio.
Também apresenta a quantidade da porção (30g) e a medida caseira (4 ½ biscoitos). E também traz informativo sobre a presença de glúten.
O valor calórico total deve ser calculado utilizando-se os fatores de conversão:
Carboidrato 4kcal/g
Proteína 4kcal/g
Gorduras 9kcal/g
De acordo com a embalagem:
Carboidrato 19g x 4kal = 76kcal
Proteína 1,2g x 4kcal = 5,2kcal
Gorduras 9g x 9kcal = 81kcal
Valor calórico total encontrado = 162,2kcal
Entretanto a ANVISA orienta que valores menores que 100 e maiores ou iguais a 10, serão declarados em número inteiros com duas cifras, como apresentado no rótulo 162kcal.
Os Valores Diários devem ser calculados para uma dieta de 2000kcal, assim:
2000kcal – 100%
162kcal – x
x = 8,1%
Para carboidratos:
300g – 100%
19g – x
x = 6,33%
Para proteína:
75g – 100%
1,2g – x
x = 1,6%
Para gorduras totais:
55g – 100%
9g – x
x = 16,36%
Para gorduras saturadas:
22g – 100%
4,9 – x
x = 22,27%
Para sódio:
2400mg – 100%
48mg – x
x = 2%

Desta forma o alimento apresentado encontra-se dentro da regularidade perante todos os pontos abordados pela ANVISA no que se refere a rotulagem nutricional de alimentos embalados.


27/09/2015 Pessoa,Lucas

domingo, 20 de setembro de 2015

Probióticos, Prebióticos e Simbióticos

Probióticos 

Os probióticos são bactérias benéficas que melhoram a saúde do intestino facilitando a digestão e a absorção de nutrientes, protegem a mucosa intestinal que metaboliza melhor as fibras presentes nos alimentos, diminuindo a concentração de bactérias patogênicas e putrefativas que provocam excesso de gases intestinais e o surgimento de doenças, também ajuda o funcionamento intestinal e ainda fortalece o sistema imune, ajudando a prevenir doenças, como gripes e resfriados.

Principais Benefícios dos probióticos:

  • Melhora da digestão;
  • Diminuição dos casos de azia;
  • Aumento da absorção de alguns nutrientes, como vitamina B ou metionina;
  • Prevenção de problemas intestinais, como diarreia, diverticulite ou colite;
  • Aumento da produção de macrófagos, que são células de defesa do organismo;


Prébióticos
Os compostos prebióticos são fibras não-digeríveis que funcionam como alimento para as bactérias intestinais benéficas, isto é, os probióticos – daí a importância de apostar na dupla para reorganizar a flora intestinal.
Os representantes mais conhecidos desse grupo têm nomes complicados:
-Frutooligosacarídeos (FOS) e inulina. Mas o que interessa mesmo é que eles podem ser facilmente encontrados. Os FOS, por exemplo, estão concentrados em alimentos de origem vegetal que podem ser comprados na feira ou no supermercado, como cebola, alho, tomate, banana, cevada, aveia, trigo, mel e cerveja. Já a inulina está presente principalmente na raiz da chicória, e também no alho, na cebola, no aspargo e na alcachofra.
“Além de ajudar no sistema imune, atuando com os probióticos, esses elementos auxiliam nas funções intestinais, evitando a constipação, e reduzem a absorção de gorduras e açúcares”, conta Mônica.
Pesquisas recentes mostram que a inulina tem a capacidade de aumentar a absorção de cálcio e de magnésio pelo organismo.
“O cálcio é importante na prevenção de doenças ósseas, como a osteoporose, e o magnésio atua diretamente na contração muscular”, comenta a nutricionista de Pelotas.
Para notar benefícios, os alimentos ricos em pré-bióticos devem ser consumidos diariamente. Mas é válido frisar que pessoas com problemas intestinais não podem cometer exageros.


Simbióticos


O termo simbiótico está relacionado ao conceito de sinergismo e deveria ser utilizado para produtos nos quais o prebiótico favorece seletivamente o probiótico contido na mesma fórmula. O simbiótico, pela combinação de seus ingredientes (probiótico + prebiótico), melhora a sobrevivência do probiótico no organismo, pois seu substrato específico é fornecido pelo prebiótico.
Alguns dos simbióticos mais utilizados para seres humanos são as associações: bifidobactéria + FOS (frutoligossacarídeo);lactobacilos + lactitol; e bifidobactérias + GOS (galactolidossacarídeos).

O efeito simbiótico pode ser direcionado às distintas regiões “alvo” do aparelho gastrointestinal, os intestinos delgado e grosso.
O consumo de probióticos e prebióticos escolhidos adequadamente pode aumentar os efeitos positivos de cada um deles, posto que o estímulo de cepas probióticas conhecidas induz à escolha dos pares simbióticos ideais.
Um exemplo dos benefícios dos simbióticos é no caso de portadores da síndrome do intestino curto, que normalmente são mal nutridos e apresentam intestino dilatado, levando a uma multiplicação exagerada de certas bactérias indesejáveis, a combinação de Bifidobacterium brevisLactobacillus casei e Galacto-oligossacarídeos, durante, pelo menos, dois anos de tratamento, resultou em uma significativa melhora da motilidade e da absorção intestinal.

Farmacêutico em Indústria de Alimentos

O farmacêutico que atua na área de alimentos normalmente exerce suas atividades nas indústrias de alimentos.

  • Funções que competem aos farmacêuticos:
- Desenvolver métodos de obtenção de produtos alimentares para uso humano e veterinário, análise bromatológica e toxicológica, realização de controle microbiológico, químico e físico-químico das matérias-primas e produtos acabados, atuação no desenvolvimento, produção e controle de qualidade de alimentos, processos fermentativos, nutracêuticos e alimentos de uso enteral e parenteral, atuação na normatização e fiscalização junto à vigilância sanitária de alimentos.
A área de indústria de alimentos não é privativa dos farmacêuticos e outros profissionais podem atuar nesta área.